parece meu gato Constantino
“como eu me sinto quando alguém fala comigo me cutucando”
… alguém fala comigo me cutucando.
“como eu me sinto quando alguém fala comigo me cutucando”
… alguém fala comigo me cutucando.
Parvi magni terrae notus
occurrunt pectoris mei sinistro latere.
Floris, nihil percipiunt oscitantes.
(Source: cashcats)
Para saber o futuro, basta olhar para o passado.
Já fui uma pessoa ruim. Não que hoje eu seja a Madre Tereza de Calcutá, mas já desejei o pior pra muita gente, desde escorregar na próxima esquina a uma tortura dolorosa seguida de morte. Já praguejei. Já me vinguei. Já fiz mal a pessoas que nem mereciam tal coisa, pelo simples fato de que isso, de algum modo, fazia bem a meu ego.
Li por aí que o homem é naturalmente um ser ruim, mas a ciência, por algum temor, teima em dizer que não. Também li por aí que o homem nasce com potencialidade para o bom e para o mau e que o sentido da vida é rejeitar ou, ao menos, conseguir controlar o mau, sendo um ser humano completo aquele que consegue obter esse controle.
Hume já acreditava que a mente do homem é uma tábula rasa e que todo o processo do conhecer/saber/agir é aprendido pela experiência/impressões pela vida por aí.
Kant escreveu que o homem não nasce livre de vícios e que morre de desejo de seguir impulsos, porém, nasce com a moral dentro de si.
Já Rogers, muito inocente e esperançoso com relação à humanidade, afirmava que todos os homens são bons em sua essência. E mais um milhão de filósofos que já filosofaram sobre isso e que eu não sei ou tenho preguiça de lembrar e escrever no momento. Eu poderia ficar horas aqui digitando sobre o pensamento de cada um.
E o mais importante: a sociedade em que vivemos é influenciada pelo cristianismo, então sempre vão pregar que o homem deve ser bom, sempre tentando igualar-se à imagem de Jesus.
Já eu… eu posso estar errada, como posso estar certa (assim como todo mundo) acerca do meu pensamento quanto ao caráter do ser humano (mas quem disse que os filósofos reconhecidos mundialmente estão/são corretos?). Bom, eu acredito em caráter, tal que não sei como é formado (e até agora não achei nenhum estudo científico real sobre isso). DNA? Genes? Formação do cérebro? Vivências na gestação? Signos e local dos planetas no momento do nascimento? Taí uma boa idéia pra TCC. Enfim. Acredito que o caráter vai moldar a impressão do indivíduo com relação ao mundo e suas vivências. E daí, com tal impressão, formará um modo de se comportar no mundo. Exemplo fácil: gêmeos, com menos de 5 aninhos (ou seja, sem quase experiência alguma), onde cada um tem um jeito de agir/reagir diferente (lembrei do vídeo da “formiguinha” no youtube).
Se eu pudesse, faria experimento com humanos. Pegaria um par de gêmeos e cuidaria deles igualmente, no laboratório. Ai, tá bom, eu sei que isso acontece em casa, mas a mãe sempre tem um filho preferido (este fato é verdade, mas ninguém te contou) e isso talvez acabe interferindo. Depois de alguns anos, a prova: um é o filho da puta e um é o bonzinho. O filho da puta, aquele que morde o coleguinha de classe que não fez nada pra ele, que responde pra mãe e que faz birra. O bonzinho, que tem a capacidade de empatia, todo mundo gosta dele e sabe lidar bem com os problemas. Por que essa diferença? Por causa de caráter. Olha, eu acho que o nome correto nem é caráter, mas algum outro traço que não sei o nome. Um traço estranho e desconhecido aí que influencia no modo como a pessoa vê o mundo (e, por conseqüência, como agirá no mundo). O filho da puta na verdade é assim, porque ele é paranóico e acha que todo mundo odeia ele. Esse é o modo que ele vê o mundo. O bonzinho é assim porque é mais otimista, tem bons olhos para enxergar o mundo, sem apelar para a paranóia.
Claro, tudo pode ser alterado. Nada é imutável nesta vida. O que tem um caráter ruim, pode ser uma pessoa boa. O que tem um caráter bom, pode ser uma pessoa ruim. Se cada um é cada um, cada experiência vivida é um aprendizado e, portanto, agregado automaticamente na vida de cada um. E assim caminha a humanidade.
Poderia discorrer linhas e linhas acerca dessa discrepância do comportamento dos indivíduos e que cada um é cada um por causa desse tal traço estranho e desconhecido. Porém, meu objetivo é outro. Sou narcisista e quero falar sobre a minha pessoa.
Como disse no começo do texto, já fui uma pessoa ruim. Não sei o que e como aconteceu, mas em algum momento eu tomei a consciência de que isso não me ajudava em nada. Que bom. Após eu ter aceitado a bondade como vantagem (ao contrário do que eu imaginava), melhorei muito. Melhorei no sentido de acordar bem-humorada. De me recuperar mais rápido de qualquer baque. De pensar (e o entendimento vem como conseqüência) sobre as coisas e seus efeitos em vez de simplesmente praguejar. Me senti mais inteira. Mais feliz. De verdade.
Agora eu não sei como terminar esse texto.
Em resumo, hoje em dia não desejo mal a ninguém. Posso até praguejar um pouquinho, por reflexo, por costume, mas paro logo que percebo. Bolo vinganças nos mínimos detalhes, mas nunca as executo. Não sou adepta a nenhuma filosofia de vida porque acho que isso não existe e seria limitar-me, mas às vezes me agarro a de que “cada um tem o que merece” (essa filosofia de vida foi Aristóteles quem propôs, juro). Sendo assim (e não só por isso), não desejo, nem executo mau algum a ninguém. Evito guardar raiva, guardar rancor, esses sentimentos não me fazem bem e, por isso, descarto-os. Porém, se tal pessoa que, em algum momento, tive algum sentimento de raiva, se foder, a satisfação em mim virá. Um sorrisinho de soslaio para dar sentido à ideia de que “cada um tem o que merece”. E o melhor: o sentimento de culpa nunca me atormentará, uma vez que nunca desejei, nem fiz mal a ninguém, apenas agradeci, de algum modo, os fatos.
Ok, se a pessoa se der bem, vou admirar e pensar o quão foda eu sou para ter um inimigo a este nível. É um certo tesão. Mas ahh… se acontecer tudo de ruim, não existirá dó. Só existirá satisfação e alguma alegria.
Não vale ser a Madre Tereza de Calcutá (de novo ela aqui neste texto, desta vez no final), é sem graça. Devemos ser espertos para apreciar esses prazeres que a vida nos dá.
Tudo isso para chegar aqui: não desejo mal a ninguém, mas o mal por si mesmo, de modo natural, me satisfaz imensamente. Intensamente. Deliciosamente.
Odeio as coisas pela metade.
Conversas pela metade, tempo pela metade, planejado pela metade, viagens pela metade…
… e pessoas pela metade.
(Source: digi-6.com, via alemigueis)
O camaleão social tem a necessidade de ser aceito em todos os grupos, por todas as pessoas. Sendo assim, age como melhor acha que o aceitarão. No grupo X, age X; no grupo Y, age Y. Personalidade própria não existe. É uma pessoa que não se aprofunda em nenhuma relação e provavelmente não tem amigos íntimos (se tiver, são poucos). É superficial, produto de uma sociedade exigente que prega que popularidade é algum sinal de status e felicidade.
Mas há sempre algo que se lasca
Que se acaba
Uma magia que se estraga
Uma vela que se apaga
Aos poucos
Um abalo que um dia, talvez, não dê mais jeito
Uma ofensa que, talvez, desta vez, não dê conserto
E então chega um dia em que eu não te reconheço
Um dia que não vem depois do outro
Uma certa noite
Fora do tempo
E então um dia eu não me reconheço
Que o fogo que vem de baixo
Seja fogo negro, intenso
Um fogo sem descaso
Pra me queimar em silêncio
E então finalmente eu me esqueço
E me entrego
Você é quem me dá tudo quente e espesso
Que me dá tudo que eu mereço
E não me nego
Então eu danço
Danço
Uma noite tão quente como essa
Pode ser um novo começo.